Palcos
Da Cela para a mesa de mistura
Suse Monteiro

Diretamente da Cela para a mesa de mistura. A frase poderia bem resumir a vida do DJ Gonçalo Siopa e o artigo terminava já aqui… mas, bom, não era a mesma coisa. 

13 Setembro, 2018

Da Cela para a mesa de mistura

Com 34 anos, a viver em Lisboa e com uma carreira que se divide, numa harmonia perfeita, entre os discos e a empresa de seguros onde trabalha, Gonçalo Siopa já passou som em eventos aclamados pelos amantes de música eletrónica, como o recente Lisb-ON. Mas, calma, estamos a ir muito depressa, não estamos? Voltemos um pouco atrás. Afinal, como é que isto tudo começou?

O DJ confidenciou à Bússola que sempre sentiu “gosto e curiosidade pela música e vontade em mostrar às pessoas sonoridades diferentes”. “Comecei na minha adolescência a passar música nos aniversários dos meus amigos e em festas privadas, inspirado pelo DJ’s que ouvia na rádio”, recorda.

Se a música fez parte da sua identidade, então não há como evitar a questão mais cliché de todas! Tínhamos mesmo que saber quais os estilos com que o DJ mais se identifica. “Esta é a pergunta a qual tenho mais dificuldade em responder porque o espectro musical com que me relaciono é bastante eclético, vai da música ambiental até ao techno e a caminho ainda dá para passar pelo dub, disco, house”. Quem diria, mister DJ... Bem, pelo menos, tem certezas sobre quem o inspira, saltando alguns nomes cá para fora: DJ Vibe, o Dj Harvey, entre tantos outros DJ’s portugueses, dos quais até é amigo. E não apenas do Face...

Mas quem pensa que isto resume o percurso artístico do celense, está bem enganado. Descobrimos que ainda lhe sobra tempo para manter um programa bimensal online, na Rádio Quântica. “'O Arrepio’ surgiu após um convite da Radio, e é um cumprir de um desejo antigo de poder mostrar a música em que acredito às pessoas em formato rádio. Através do ‘Arrepio’, tenho a oportunidade de informar e dar um contexto à música, algo que não consigo fazer enquanto atuo como DJ”, informa o músico, que anda a congeminar alguns novos projetos, relacionados com a rádio, mas para já está tudo no segredo dos deuses.

Com quase 20 anos de atuações, era imperativo saber qual é a que guarda com mais nostalgia e há uma em especial que nunca vai esquecer: “O saudoso Clinic, onde fiz a minha primeira atuação paga, em frente à minha família e amigos”, relembra. O Clinic não foi o único local do concelho de Alcobaça onde o artista passou som, ao longo do seu percurso atuou também numa das várias iterações do Bar Ben e noutras festas privadas, um pouco por todo o lado.

Do seu ponto de vista, esta carreira, como aliás todas as outras, tem as suas vantagens e desvantagens: “O que mais gosto é o contacto com as pessoas, e poder (quando é possível) controlar as emoções e o ambiente vivido na pista de dança através da música, disco após disco. Aquilo que por vezes me deixa mais frustrado é a indisponibilidade das pessoas em ouvir música que não conhecem”.

E como sonhar não paga imposto, o artista conta-nos que a sua maior fantasia de DJ seria passar discos numa festa de rua para milhares de pessoas, tal como as festas Body & Soul em Nova Iorque.

Apesar de viver na capital, arriscámos em saber qual o "estado civil" que mantém com a sua terra natal. A resposta foi demasiado bonita e não nos deixa alternativa senão deixar aqui a sua citação para todos verem. Ora atentem: “Mantenho uma forte ligação alimentada pela minha família e pelos meus amigos, tenho Alcobaça no sangue e para mim fará sempre parte da minha identidade”. 

E se quiserem vê-lo “brincar com os discos” como gente grande, podem ir no dia 21 de setembro ao Indiefrente, a partir das 18 horas, no Jardim das Oliveiras do CCB.

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