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O Oeste na crista da onda
Dulce Alves

O Oeste rivaliza com alguns dos melhores spots mundiais de surf como Jaws, no Havai (nas ondas gigantes) e Teahupoo, no Taiti (para os tubos). Não acredita? Por estes dias tem hipóteses de confirmá-lo, com os pés na areia e de olhos postos no mar, assistindo a duas provas do circuito mundial de surf, na Praia do Norte, Nazaré, e Supertubos, em Peniche.

12 Outubro, 2018

O Oeste na crista da onda

Se na Nazaré já começou a contar o período de espera para a etapa portuguesa do Mundial de Ondas Grandes da WSL (World Surf League), que se estende até ao final do mês de fevereiro, a janela temporal do Circuito Mundial de Surf Masculino da WSL é mais curta e está marcada de 16 a 27 de outubro.

Para que tire o maior partido destes dois eventos, explicamos em que consistem e como pode assistir às duas competições que voltam a marcar o calendário do Oeste e colocam a região na crista da onda.


Supertubos

A praia de Supertubos tem acolhido, nos últimos dez anos, a penúltima etapa do Circuito Mundial de Surf Masculino, que este ano termina em dezembro, no Havai, com o Billabong Pipe Masters. Complicado? Esmiuçamos: o calendário masculino desta competição é dividido por onze etapas, em nove países. A competição conta com 37 surfistas que vão a prova a cada uma das várias etapas, que nesta edição passaram pela Austrália, Brasil, Indonésia, África do Sul, Polinésia Francesa, Estados Unidos da América e França.

O que deve saber se for ao MEO Rip Curl PRO Peniche? Aqui não é a grandeza que leva a melhor, embora as ondas também atinjam alturas generosas. Mas a espetacularidade está mesmo nas ondas tubulares, os tais super tubos que obrigam os surfistas a incríveis manobras. Os juízes avaliam a inovação e a variedade das manobras, a velocidade, força e fluidez, bem como o grau de dificuldade que os tubos oferecem.

Se a ondulação (swell) for favorável, a chamada dos surfistas (call) é feita pelas 7:45 horas, pelo que sugerimos que chegue cedo para garantir os melhores lugares no areal, ou nas bancadas montadas para o evento, e não perder pitada. O ambiente é familiar, por isso, a menos que o inverno oestino dê sinais, não deixe os miúdos em casa! Eles vão agradecer o dia bem passado.

Até porque não precisa dominar muito o tema para desfrutar do espetáculo. Irá facilmente perceber que a cada etapa há várias rondas, formadas por um determinado número de baterias (heats). Uma bateria decorre no período aproximadamente de 30 minutos, em que os surfistas em mar (entre 2 a 3) disputam entre si as ondas, depois avaliadas (de 0 a 10) por 5 juízes. De cada avaliação descarta-se a nota mais alta e a mais baixa e calcula-se a média das restantes 3. No final da bateria são consideradas apenas as duas maiores notas de cada surfista.

Mas deixe as contas para quem sabe: os juízes e o comentador que, pelos altifalantes, vai dando conta das notas e também dando instruções (tempo, prioridade, etc.) aos surfistas em mar. O importante é que não perca as acrobacias dos melhores do mundo e que se divirta com cada manobra, alinhando nos gritinhos de entusiasmo dos connoisseurs.

No entanto, e para que saiba ao que vai, tenha presente que é bem possível que este ano o discurso vencedor seja em português, ainda que com sotaque, pois nesta altura do campeonato - em plena etapa francesa - estão na frente os brasileiros Filipe Toledo e, logo atrás, Gabriel Medina, seguindo-se o australiano Julian Wilson em terceiro lugar e, na quarta posição, novamente um brasileiro, Ítalo Ferreira.

Já Frederico “Kikas” Morais, que ocupa o 22.º lugar e acaba de ser eliminado na segunda ronda da nona etapa, que decorre em França até domingo, dia 12, voltará às águas do Oeste para competir na penúltima etapa. Mais um bom motivo para rumar a Peniche e torcer pelo português que figura entre os melhores do Mundo.

Quanto ao circuito feminino, Portugal ficou fora do calendário de 2018, mas já foi anunciado que em 2019 a praia de Supertubos será anfitriã de uma das dez etapas, no mesmo período de espera da prova masculina. Ponha na agenda: para o ano a competição vai ser a dobrar!


Praia do Norte

A 1 de outubro foi declarada "aberta" a época oficial de ondas grandes na Nazaré, que se estende até ao final de fevereiro próximo. Isto significa que a etapa portuguesa do circuito mundial de surf de ondas grandes pode acontecer a qualquer momento, dentro deste período, sendo anunciada com 72 horas de antecedência. A intenção é que estejam reunidas as melhores condições, tendo em conta uma série de fatores estudados como a ondulação, o vento e as marés, a cada dia, pela comissão organizadora e pelo júri.

Há, por isso, que ficar atento à chamada, dada pela organização da WSL e que costuma ser  amplamente divulgada nas redes sociais. No ano passado teve lugar a 10 e 11 de fevereiro e, em 2016, a 20 de dezembro. Por isso, e para que este grande dia não vos passe ao lado, sugerimos que acompanhem o site e as redes sociais da WSL.

Falamos em “grande dia” porque habitualmente o evento tem apenas essa duração, sendo que se as condições assim exigirem pode estender-se a mais um dia de competição, como sucedeu em 2017.  No dia D, a chamada é pelas 7:30 horas e às 8 têm início as baterias, que são compostas por seis atletas e têm a duração de 45 minutos.

Estão em competição mais de duas dezenas de big riders e a Praia do Norte é uma de três etapas estipuladas nesta edição, a par de Jaws e Mavericks, na Califórnia. O período de espera para as três é praticamente o mesmo - todos terminam em final de fevereiro, mas em Mavericks a janela temporal só deverá iniciar a partir de 1 de novembro.

Se vai assistir pela primeira vez ao campeonato das ondas grandes, aconselhamos que chegue cedo, não vá a prova terminar numa manhã. Pode assistir à competição no areal, mas o melhor spot já todos sabem que é junto ao farol (Forte de São Miguel Arcanjo), mercê da perspetiva e da segurança.

Fique a saber que nesta edição pode torcer por seis portugueses em competição: Alex Botelho, João de Macedo, António Silva, João Guedes, Hugo Vau e Nic von Rupp. Entre as estrelas internacionais, fique atento ao brasileiro Rodrigo Koxa, que detém o recorde Guiness da maior onda surfada, precisamente na praia do Norte.

Se porventura não puder deslocar-se até à praia do Norte ou a Supertubos para ver in loco a espetacularidade da força da natureza e a capacidade de superação dos grandes nomes do surf mundial, acompanhe os campeonatos no facebook ou na aplicação da WSL, que transmite diretos.

E para que faça um figurão entre os seus pares, deixamos alguns factos que pode sacar do bolso e impressionar os mais leigos no que respeita a estas marés:

  • O surf vai estrear como desporto olímpico em Tóquio 2020.

  • A WSL anunciou a instituição, a partir de 2019, de prémios monetários iguais entre homens e mulheres, tornando-se na primeira e única liga desportiva dos Estados Unidos da América a alcançar essa igualdade.

  • Nem só de marés vive o surf: o circuito masculino contou, este ano, com uma etapa numa piscina de ondas artificiais, idealizada por Kelly Slater, na Califórnia.

  • O Brasil apresentou uma verdadeira seleção neste campeonato de surf - foram 11 (entre 34) os surfistas do país-irmão que iniciaram a prova que vai agora passar por Peniche.

  • A Austrália é o país que detém mais títulos na modalidade.

  • Em quase 40 anos da história da WCT, só por 8 vezes se registou uma bateria perfeita, ou seja, uma pontuação de duas notas de 10, num total de 20 pontos.

  • A brasileira Maya Gabeira acaba de receber o certificado Guinness que a reconhece como a mulher que surfou a onda mais alta, 20,72m, precisamente na Praia do Norte, em janeiro passado.

  • A sede europeia da Liga Mundial de Surf (World Surf League) vai ser instalada em Lisboa, depois de 30 anos em França.

Fotografias: Carlos Antunes

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