Gula
O pão de ló sem coração mole
Sara Vieira

Antes de chegar a Alfeizerão, já as monjas do Mosteiro de Santa Maria de Coz amassavam o açúcar, as gemas e a farinha para fazer pão de ló. O mais conhecido continua a ser o Pão de Ló de Alfeizerão, mas a verdade é que a receita original vem de Coz. 

20 Agosto, 2018

O pão de ló sem coração mole

Não se sabe ao certo a data de criação da iguaria, mas sabe-se que não era confecionado como hoje o conhecemos, até porque esta receita surgiu nos finais do século XIX com o Mosteiro já fechado. Depois da extinção das ordens religiosas em 1834, algumas monjas ter-se-ão refugiado em Alfeizerão e transmitido a receita a senhoras da terra. Numa das vindas do Rei D. Carlos, que visitava com alguma frequência o seu amigo fidalgo Vitorino Froes, “passando temporadas entre a quinta de Alfeizerão e uma casa em São Martinho do Porto”, uma retirada antecipada do forno fez com que o pão de ló ficasse mal cozido. Mas quando se provou... também se aprovou a receita. O próprio rei elogiou tanto aquela confeção que, a partir daí, as poucas "pasteleiras" que saberiam fazer a receita começaram a retirá-los antecipadamente do forno. E assim se criou a tradição do pão de ló de Alfeizerão.

Ora, a afamada Casa do Pão de Ló de Alfeizerão e o Centro de Bem Estar Social de Coz, através do  projeto Coz’Art, uniram esforços para recuperar a antiga receita das monjas que ocuparam o Mosteiro de Santa Maria de Coz e apresentaram a recriação da receita tradicional do Pão de Ló de Coz em novembro do ano passado, durante a 19.ª edição da Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais no Mosteiro de Alcobaça. Sem um "coração tão mole", o creme de ovos no interior é menos doce comparativamente ao que conhecemos de Alfeizerão.

A confeção do “bolo tradicional feito à moda antiga” teve como base a receita original, explicou Alda Gomes, diretora técnica do Centro de Bem Estar Social de Cós. Já Helena Monteiro de Castro, da Casa do Pão de Ló de Alfeizerão, frisou os “proveitos para ambas as instituições” desta parceria, confessando que “foi um desafio descobrir o que seria o Pão de Ló antes de chegar a Alfeizerão”. Para a responsável, “o produto é uma mais-valia para oferecer a quem visita Coz”. O presidente da Câmara de Alcobaça, Paulo Inácio, corroborou da ideia, acreditando que “a parceria será essencial para a afirmação do Mosteiro de Coz, que precisa de ser divulgado e afirmado”.

Se já gosta do Pão de Ló de Alfeizerão não pode resistir à gula de saborear um pedaço de história... de Coz, disponível no Centro de Bem Estar Social de Coz, na antiga Adega das Monjas e na Casa do Pão de Ló de Alfeizerão, em Alfeizerão.

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