Cistermúsica abre as portas ao mundo para receber 40 espetáculos

A 26.ª edição do Cistermúsica tem música, dança, cinema e até teatro. Mas tem, também, uma mensagem política veiculada no tema deste ano do festival: Música Sem Fronteiras. “Numa época em que estão a surgir regimes ferozmente nacionalistas, com um ódio aos emigrantes e refugiados, o Cistermúsica abre as portas ao mundo”, explica Alexandre Delgado, diretor artístico do festival.

A abertura da fronteira de Alcobaça para o mundo resultou na “maior e mais internacional” edição de sempre do festival de música organizado pela Banda de Alcobaça e pela Câmara de Alcobaça e produzido pela Academia de Música de Alcobaça. A partir de amanhã, e durante um mês, o festival apresenta cerca de quatro dezenas de espetáculos em inúmeros locais da cidade, do concelho e do País. 

As “fronteiras abertas” do festival acabam por resultar, também, numa edição “muito eclética, com músicas de vários quadrantes e géneros e de todos os continentes”, acrescenta o compositor. “Esta aposta em projetos internacionais e ecléticos não significa que tenhamos descurado outra das matrizes do festival: o património musical nacional”, assegura Alexandre Delgado, referindo-se, por exemplo, à apresentação de “As Guerras do Alecrim e da Manjerona”, de Antônio José da Silva.

A vereadora com o pelouro da Educação considera que o “tema é extremamente pertinente”, uma vez que a “música é uma linguagem universal e que aproxima as pessoas numa troca de experiências culturais”. Inês Silva aproveitou a apresentação da 26.ª edição do Festival de Música de Alcobaça para sublinhar “o crescimento do projeto ao longo dos anos” e realçar a “abertura a outros municípios e regiões do País”.

A estreia do festival “é um dos grandes destaques” desta edição. “Depois de ser um dos sucessos máximos no ano passado, o pianista Paulo Melo volta a Alcobaça para musicar outro filme de Charles Chaplin”, adianta Alexandre Delgado. Assim, o Cine-teatro João d’Oliva Monteiro, em Alcobaça, vai abrir portas, amanhã pelas 22 horas, para o cine-concerto “O Garoto”.
No dia seguinte, o festival confirma a vertente pedagógica, dando oportunidade ao Coro e à Orquestra da Academia de Música de Alcobaça de subir ao palco do Cine-teatro João d’Oliva Monteiro para apresentar a ópera “A Floresta”, de Eurico Carrapatoso. 

O concerto inaugural da programação principal está marcado para domingo, às 18 horas, com a apresentação da Messe de Notre Dame, pelo Ensemble Gilles Binchois, na nave central do Mosteiro de Alcobaça. Trata-se de “uma das mais importantes obras do cânone da música ocidental, de beleza intemporal e cuja apresentação em Alcobaça só peca por tardia”, refere Alexandre Delgado.
A programação contempla, ainda, vários concertos orquestrais, óperas e uma “forte aposta na dança contemporânea”. A descentralização é outra das políticas do festival que se confirmam na edição de 2018.

A “maior e mais internacional” edição daquele que é considerado o maior festival de música clássica do País tem um dos maiores orçamentos da história do Cistermúsica. Segundo Rui Morais, a 26.ª edição do festival tem um orçamento de 240 mil euros, assegurado pelo “financiamento da Direção Geral das Artes, do município e de patrocinadores”. O diretor artístico do festival adianta, ainda, que o Cistermúsica “mantém a aposta em bilhetes a baixos custos”, com o objetivo de garantir “um clássico para todos”.