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Alunos do Externato da Benedita organizam feira solidária


A ideia que perpassa do comportamento dos nossos jovens é de que boa parte das suas preocupações estão relacionadas com a roupa que vestem, o penteado que exibem ou o telemóvel que acabaram de comprar. Mas há rapazes e raparigas que, apesar da tenra idade, já denotam consciência social e procuram ajudar o próximo. Na Benedita, seis alunos do Externato Cooperativo local decidiram passar das ideias à prática e organizar uma "Feira Solidária", cujas receitas e angariações vão reverter para três instituições de solidariedade social.

Armando Maria, Inês Guerra, Rita Bernardes, Sofia Vicente, Susana Coito, Tânia Quitério são os nossos "heróis". Alunos da turma do 12.º D, resolveram utilizar a área de projecto para marcar a diferença.

Recorrendo aos 8 Objectivos do Milénio, definidos pela ONU em 2000 e que pretendem, em traços gerais, reduzir para metade a pobreza extrema e a fome até 2015, aqueles estudantes montaram uma operação solidária que vai decorrer nos próximos dias 19 e 20, na cave do Centro Cultural Gonçalves Sapinho.

As iniciativas vão decorrer entre as 9 e as 23 horas e vão consistir numa recolha solidária e em actividades dinâmicas.

No local, será montada uma exposição sobre a pobreza e a exclusão social e vai ter lugar uma quermesse diferente do habitual, relacionada com os 8 Objectivos do Milénio.

E na noite do dia 19, quem gosta de música poderá vibrar ao som das bandas "Smooth Voltage", "Bolacha Maria" e uma outra de Alcobaça, ainda a confirmar. "Queremos contar com a vossa presença no concerto. Não faltem", advertiu Armando Maria, na passada sexta-feira, durante uma apresentação do projecto "Feira Solidária" a algumas turmas do Externato, deixando o desafio aos jovens para participar no evento.

"Queremos promover alguma diferença", afirma Tânia Quitério, que tal como os seus colegas tem apenas 17 anos, mas demonstra grande preocupação com os mais desfavorecidos. "Por muito pouco que possamos fazer, estaremos a fazer muito para ajudar os outros. E pode ser que alguns de vocês agarrem nesta iniciativa e façam melhor no futuro", sublinhou a estudante durante a apresentação do projecto.

As receitas e o material angariado vão servir para apoiar a ACREDITAR (Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro), de Coimbra, a VITAE (Associação de Solidariedade e Desenvolvimento Internacional), que se dedica aos sem-abrigo, e a Sorriso Amigo, uma associação de solidariedade constituída no seio da escola da Benedita.

Para montar a operação, os alunos do Externato procuraram estabelecer parcerias com a sociedade civil, autarquias e empresas. A resposta não podia ser mais encorajadora. "Quando começámos não pensávamos que iríamos obter tantos apoios", reconheceu Inês Guerra.

Para Susana Coito, a "Feira Solidária" vai "decerto, fazer a diferença na comunidade" da Benedita, o que, por si só, já significa uma vitória. Mas servirá, sobretudo, para uma maior consciencialização de todos para os problemas da globalização e da disparidade no desenvolvimento dos países.

"Normalmente, pensa-se em solidariedade apenas no Natal e nós quisemos fugir um pouco a essa tendência", salienta Rita Bernardes, lamentando que os números indiquem que um total de 115 milhões de crianças não frequentem uma escola e que, por ano, morram 6,3 milhões de crianças de fome.

"Infelizmente, os 8 Objectivos do Milénio não têm a divulgação que desejaríamos. É pena que isso aconteça e, por isso, resolvemos avançar com este projecto", completa outro elemento do grupo, que está fortemente empenhado nas iniciativas que estão em preparação e aguardam pela participação da população da Benedita e da região.

Como referem, e bem, estes alunos do Externato, a "Feira Solidária" não irá pôr termo a todos os males de que padecem o mundo e as sociedades modernas, nem fará chegar o necessário a todos os desfavorecidos. Mas, pelo menos, pode ajudar a minorar os problemas de alguns, o que já é muito significativo. E quando são jovens de apenas 17 anos a desencadear este tipo de actividades, os adultos só têm uma solução: participar e contribuir. Para não se sentirem envergonhados.

Joaquim Paulo



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