Cinema/TV
A “filha do mar” e da Benedita
Sara Vieira

Quando tinha 6 anos adorava ver a telenovela brasileira "Chica da Silva", sem nunca imaginar que quatro anos mais tarde seria a “menina do mar” que a viria a celebrizar no mundo da representação. 

20 Agosto, 2018

A “filha do mar” e da Benedita

Quando tinha 6 anos adorava ver a telenovela brasileira "Chica da Silva", sem nunca imaginar que quatro anos mais tarde seria a “menina do mar” que a viria a celebrizar no mundo da representação. Diana Marquês Guerra conquistou os portugueses com apenas 10 anos, ao dar vida à pequena Maria Barquinho na telenovela da TVI “Filha do Mar” (2001), mas construiu uma carreira nas décadas seguintes que a colocam como um valor seguro da representação nacional.

O percurso da atriz beneditense, prestes a completar 28 anos, é tudo menos habitual. Pouco tempo depois de a novela em que foi filha de Dalila Carmo ter terminado, emigrou para Inglaterra com a mãe e acabou por aproveitar a oportunidade para estudar na área da representação. Licenciou-se em Media & Performance na Universidade de Salford, em Manchester. De terras de Sua Majestade, admite ter ganhado “uma prática na vida que não tinha”: “os ingleses são um povo muito prático e descomplicado”.

Oito anos mais tarde, prestes a iniciar o mestrado, depois de uma curta passagem por Destinos Cruzados (2013) e uma participação especial em Os Filhos do Rock no mesmo ano, tentou a sorte e enviou um vídeo para um casting da TVI, acabando por ser aceite para a sequela da novela “Jardins Proibidos” (2014), voltando assim à ribalta. Depois de ter sido “Mariana Gama”, que deu o corpo ao manifesto em cenas mais atrevidas com Rodrigo Soares, mudou-se para a RTP para dar vida a “Maria Inês Nogueira” em Miúdo Graúdo (2016) e a “Sofia Vieira Homem” em “O Sábio” (2017), que fez par romântico com aquele que viria a tornar-se o seu namorado, Diogo Lopes.

O mais recente projeto que assumiu, fazendo o pleno nos canais abertos da tv, é a novela “Alma e Coração”, da SIC, que deverá começar em setembro. A beneditense vai vestir a pele de Vera Sousa Melo, que define como “uma mulher diferente” das que tem interpretado, “mais sofrida, com alguns traumas e a quem ainda assim a vida gosta de pregar umas partidas menos boas”. “Mas uma mulher com atitude”, resume.

Para se sentir uma atriz completa faltava, ainda, a estreia na Sétima Arte. Ao lado de José Fidalgo, Anabela Teixeira e Vítor Silva Costa, Diana Marquês Guerra é uma das atrizes que integra o elenco de “Leviano”, que estreou a 5 de julho. O filme deu-lhe a conhecer o mundo do cinema pela primeira vez. “Foi no Leviano que me estreei no cinema e foi uma experiência incrível que espero voltar a viver muitas e muitas vezes”, conclui a “menina bonita” da Benedita, que no filme responde por Adelaide Paixão.

Habituada a vestir outros papéis, Diana Marquês Guerra responde ao desafio da Bússola, revelando para onde apontaria o caminho se fosse... presidente da Câmara de Alcobaça. E nem precisava de ser ficção, porque há problemas bem reais que gostaria de resolver no imediato. “Arranjava as estradas na Benedita e terras em redor, as estradas estão numa condição vergonhosa, a estrada principal da Benedita para as Caldas da Rainha está além de miserável. É realmente inacreditável que após tantas queixas ainda nada tenha sido feito”, lamenta a atriz, que em 2015 deu o ar da sua graça como apresentadora da Gala do Books & Movies, no Cine-teatro de Alcobaça. 

Nasceu nas Caldas da Rainha, viveu no Porto, em Lisboa e em Angola, estudou em Inglaterra oito anos, mas é na mais populosa vila do concelho de Alcobaça, na Benedita, que se sente em casa. “Ser criança na Benedita foi ter muita brincadeira no campo, na terra, bicicletas, muitas construções, muitos amigos e muita liberdade sempre na companhia da minha prima Rita. Fazíamos mil e uma peripécias juntas”, recorda a atriz, que resolveu regressar às origens mesmo num momento de grande fulgor da carreira. Passou a viver na Benedita desde o ano passado, uma vez que “a situação em Lisboa está insuportável para os portugueses”, admite a atriz, que ficou conhecida como a “menina do mar”, mas que curiosamente sempre gostou “mais de viver no campo”.

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