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Repertório para amadores que se transformou num espetáculo profissional
João Neves

Sobrevivi para contar a história de uma experiência transformadora e enriquecedora em torno das artes performativas na nossa região.

18 Julho, 2019

Repertório para amadores que se transformou num espetáculo profissional

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

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Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

Fotos: Iolanda Pereira

É certo que não se aprende a dançar numa semana. Mas numa semana, um grupo de dez pessoas de Alcobaça e arredores aceitou o desafio de aprender uma coreografia rigorosa, cheia de ritmos e marcações para apresentar um bailado contemporâneo no Mosteiro de Alcobaça, no âmbito da programação do Cistermúsica. Eu fui uma dessas pessoas e sobrevivi para contar a história de uma experiência transformadora e enriquecedora em torno das artes performativas na nossa região.

A organização do Cistermúsica - Festival de Música de Alcobaça lançou o repto e um grupo heterogéneo respondeu ao chamamento. Heterogéneo nas idades e nacionalidades, mas não tanto no género. O grupo foi acolhido pela companhia Ballet Contemporâneo do Norte (e por quatro bailarinos profissionais) e rapidamente se apropriou do “Repertório para Cadeiras, Figurantes e Figurinos”, que teve a sua estreia em Alcobaça, no passado dia 5 de julho, no Claustro D. Afonso VI.  

Mesmo com um duro calendário – cinco horas de ensaio durante sete dias consecutivos! – o grupo correspondeu às expectativas e rapidamente foi aprendendo a coreografia. Entradas e saídas de cena, movimentos rigorosos com cadeiras, figurinos ou outros figurantes e uma criteriosa ocupação do espaço em palco. O processo de (re)criação do espetáculo corria às mil maravilhas até o grupo perceber que, na parte final do bailado, teria de se despir e ficar em roupa interior. Se no início houve uma hesitação natural, no final da semana todos se entusiasmaram com a ideia da aventura de sair da zona de conforto enfrentar uma plateia de amigos, familiares e perfeitos estranhos com o corpo quase totalmente descoberto.

Num local intimista e carregado de importância histórica, mais de uma centena de pessoas assistiu a um espetáculo também histórico. Histórico pela beleza e espetacularidade do bailado e, sobretudo, pelo facto de um grupo de dez pessoas, com mais ou menos experiência no mundo da dança e das artes performativas, ter proporcionado (para si próprio e para os espetadores) uma experiência cultural transcendente.

Comecei este singelo relato a escrever que não se aprende a dançar numa semana. De facto, nenhuma destas dez pessoas aprendeu a dançar naquela semana. Mas, sem exceção, cada um dos dez participantes integrou um espetáculo profissional que, na minha singela opinião, poderá ter inúmeros impactos na vida pessoal e social de cada um. Os sorrisos de satisfação, orgulho, sentimento de missão cumprida ou outra qualquer emoção levam a crer que esta experiência foi um tremendo sucesso. Assim como a aprovação e os aplausos do público, claro.

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