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Viagem pelos Parques de Campismo da região
Bernardo Dias

Fizemos uma viagem pelos parques de campismo dos concelhos de Alcobaça e Nazaré. Venha daí e embarque connosco

20 Agosto, 2018

Viagem pelos Parques de Campismo da região

Ainda era bebé quando, pela primeira vez, ficou a dormir numa roulotte. Foram os avós que o levaram e é com os avós que continua a passar as férias de verão no Vale Paraíso Natur Park, na Nazaré. Prestes a completar 18 anos, Tomás Vieira recusa-se a trocar a sua “casa de verão” por qualquer outro parque de campismo ou hotel. Sempre que as aulas acabam, a rotina desta família é sempre igual: embalar a trouxa e zarpar de Leiria em direção à Nazaré para regressar a casa apenas quando as aulas começam.

“Somos dos mais antigos”, aponta a avó, Julieta Vieira, que já conhece bem os cantos daquele parque, que começou por albergar apenas campismo na década de 1970 e hoje em dia dispõe de um complexo parque composto por camping, caravanas, chalés, teepees e apartamentos. Mostrando o cartão de sócio do neto com a fotografia ainda de criança, a avó, de 71 anos, confessa que este ano já perguntou ao neto se “estas férias são para continuar”. A resposta não podia ter sido mais assertiva: “claro que sim!”. “Gosto mesmo disso e sempre que possa venho para aqui passar os meses de verão”, garante Tomás Vieira.

Lucas Lourenço também já conhece bem os cantos do Parque de Campismo de Paredes da Vitória. Tem 13 anos e desde sempre que, por esta época do ano, se muda da casa dos pais em Alenquer para a “casa” do parque. “Passo duas semanas de férias com os meus avós e outras duas semanas com os meus pais”, adianta o menino, que elogia “a calma e o silêncio” do parque. Só há um “problema”: “a praia é um bocadinho longe”. Quem também se queixa do mesmo é a avó, Isabel Maurício, a quem já lhe custa subir a estrada que liga a praia de Paredes da Vitória ao parque. “Venho pelos meninos, mas também acabo por descansar nestes dias”, nota a mulher, de 58 anos, que aproveita o espaço alugado pela filha para passar uns dias com os netos. Esta família é uma das várias que aluga o lote ao ano. Segundo Célio Coelho, responsável por este parque, gerido pela União das Freguesias de Pataias e Martingança, são esses clientes que acabam por “sustentar” o espaço no inverno. O parque, que emprega seis pessoas, dispõe de um espaço para 102 alvéolos, um espaço para campismo (que pode receber cerca de 3.500 pessoas) e outro espaço para caravanas, 40 no máximo. “A maior parte dos clientes portugueses vêm do Ribatejo e os estrangeiros são maioritariamente franceses, espanhóis, holandeses e alemães”, esclarece. A procura de um ano para outro tem sido “mais ou menos a mesma”, o que difere é o tempo da estadia. “No campismo, por exemplo, a média é de 8 a 15 dias, mas os estrangeiros ficam apenas uns 2 ou 3 dias“, esclarece o funcionário, para quem a concorrência de outras ofertas hoteleiras não assusta. “O campista vai querer sempre acampar e não tem a ver só com questões financeiras. Temos muitos clientes que não têm problemas económicos e continuam a preferir isto”, sublinha.

É nos baloiços do parque de campismo que encontramos Helena Craveiro, de 57 anos, com os dois netos (o mais novo preferiu a bola à fotografia). A viagem foi curta, vêm de Valado dos Frades. “Eles adoram isto, a tenda para eles é uma festa e aqui acabam por ter amigos para brincar”, conta a valadense, que desde há três anos tira duas semanas de férias naquele espaço. Temos de interromper o jogo de futebol de Rodrigo Craveiro com os amigos para lhe arrancar umas palavras, mas depois do “golo” vem a justificação da preferência pelo campismo: “aqui tenho espaço para brincar à vontade e tenho amigos. No hotel tenho de brincar sozinho e só falam espanhol”.

Também há clientes que vêm de longe. Ele é português, ela é francesa. Vivem em França há 43 anos e há dez que levam a autocaravana e o carro rebocado pelas estradas portuguesas. António Rebelo é de Aveiro, mas é na Nazaré que se sente bem. “Temos aqui tudo, está sempre tudo limpo e já conheço bem isto, até fui eu que inaugurei o campo da petanca do parque”, conta o emigrante. Este ano é o primeiro que passa enquanto reformado, pelo que a estadia de uma semana passou a duas. “Agora o tempo já não é problema”, brinca. A lotação do caravanismo do Vale Paraíso é de 90% no verão, tendo ao dispor dos clientes 200 alvéolos. “O pico da lotação do parque é sempre em agosto, principalmente na segunda semana do mês”, avança Isabel Sequeira, diretora comercial do parque. Composto com dez apartamentos, 25 chalés, 6 teepes, 200 alvéolos no caravanismo e preparado para receber até 1.200 campistas, o parque de campismo chega a receber em simultâneo 1.200 pessoas. “Este ano os portugueses estão à procura de férias só agora e querem ficar menos dias, entre 3 a 5 dias, em vez dos 7, e os emigrantes e franceses acabam por ficar uma a duas semanas”, relata a responsável, frisando que “as pessoas procuram o mais barato possível e em cima da hora, também devido à instabilidade da meteorologia este ano”. A piscina, o parque infantil, o parque desportivo e a sala de convívio e leitura acabam por oferecer ao cliente “tudo o que precisa”.

No parque de Campismo Rural da Silveira o conceito é diferente. Dizem os responsáveis, que “é o mais pequeno da região, mas ao mesmo tempo o mais acolhedor”. Localizado à saída de Alcobaça, nos Capuchos, o parque abriu em 1996, tendo, portanto, 22 anos de existência. Na época disseram a António Viegas - o proprietário, que tinha acabado de chegar à cidade vindo de Leiria - que tendo em conta o terreno que dispunha, esta “seria a melhor forma de aproveitar uma parte do terreno para fazer algum dinheiro“, explica. E assim foi, dentro de um terreno de família com oito hectares, o leiriense aproveitou cerca de meio hectar para fazer um parque de campismo. Aberto de 15 de maio a 15 de setembro, tem espaço para acampar e para caravanas/autocaravanas. Em agosto está sempre lotado, com cerca de 75 pessoas, praticamente todos estrangeiros. Quase todos em tendas porque dos 19 alvéolos apenas três estão preparados para caravanismo. António Viegas refere que “já se vai vendo alguns portugueses, mas muito poucos, a maioria são estrangeiros,muitos franceses, alguns holandeses e ingleses“. A particularidade deste espaço é que os 19 alvéolos são todos separados uns dos outros, há vários arbustos à volta de cada um, pelo que os utentes do parque têm a sua própria privacidade. Numa época que se debate tanto sobre o crescimento do número de alojamentos locais, o proprietário do parque defende que as pessoas continuam a escolher o campismo por causa “da tranquilidade, de estar no meio da natureza e de não haver poluição“.

O parque de campismo Orbitur Valado, localizado à entrada da Nazaré, depois do Monte de São Brás, a dois quilómetros do centro da vila, acaba por ser um parque mais “mexido“. Não tem a mesma “pacatez e privacidade”, mas por outro lado oferece mais atividades e comodidades. Está aberto todo o ano, dispõe de espaço para campismo, caravanismo e também tem vários bungalows. Tem uma piscina exterior, três blocos sanitários e vários serviços comerciais de apoio aos campistas. Segundo Lúcia Chaves, responsável do parque desde há um ano para cá, “o número crescente de alojamentos locais não afetou em nada o negócio, até porque a média de clientes está igual à mesma época do ano passado“. A maioria dos clientes são franceses, no verão aparecem vários espanhóis e portugueses. Em relação ao inverno, a responsável diz mesmo que ficou “surpreendida por ter tanta gente” e que nunca pensou “que tivesse tantos clientes no inverno”. “Parecia que estava no Algarve“, nota Lúcia Chaves.

A viagem segue para sul, em direção a São Martinho do Porto, onde há dois parques de campismo: o Parque de Campismo Baía Azul, gerido pela Junta de São Martinho do Porto, e o Parque de Campismo Colina do Sol. O Colina do Sol fica localizado na Serra dos Mangues, a 2 quilómetros da baía de São Martinho, e tem acesso pedestre à Praia da Gralha. Tem uma área total de 11 hectares e capacidade para acolher 1.100 campistas. Na época alta a ocupação ronda os 86%. O responsável do parque, Diogo Castro, confessou ao REGIÃO DE CISTER, que em relação ao ano passado “o parque teve um crescimento de 5% no número de campistas, mesmo com os meses de junho e julho atípicos que se fizeram sentir”. Já nos meses de verão são vários os portugueses que escohem este local: “cerca de 60% dos clientes no verão são portugueses“. Se houvesse um pódio para os parques de campismo da região mais próximos da praia, o Parque de Campismo Baía Azul ganhava de caras. O tempo que demora a pisar a areia é o mesmo de passar a estrada para o outro lado, algo bastante conveniente para as famílias, que preferem as águas calmas de São Martinho do Porto. O parque, localizado na Marginal, complementa a localização com comodidades como mini-mercado, parque infantil, restaurante e sala de convívio. Portanto se para uns o parque de campismo é a “casa de férias”, para outros é o “lar, doce lar”.

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